Imóvel de até 45 m² é preferência na Baixada Santista

Apesar da sedução do mercado por apartamentos espaçosos e de frente para a praia, as unidades de até 45 metros quadrados estão entre as mais comercializadas, conforme pesquisa realizada na Baixada Santista pelo Sindicato da Habitação (Secovi).

De acordo com o estudo, feito em Santos, Guarujá, Praia Grande e São Vicente, a metragem até 45 m² atingiu venda sobre oferta (VSO) de 71,3%. O VSO calcula a relação de quantidades vendidas e o que foi ofertado, apontando o ritmo da comercialização. 

A pesquisa foi realizada de julho de 2018 a junho último pela Robert Zarif Assessoria Econômica. Em quantidades, o melhor desempenho foi das metragens entre 45 e 65 m², com 1.112 unidades vendidas, de 1.252 ofertadas. Considerando o preço médio do m² na região, de R$ 5,8 mil, conforme o Secovi, a unidade de exatos 45 m² é vendida a R$ 261 mil. 

O preço baixo devido à metragem menor é o principal atrativo, ainda mais em tempos de crise econômica. Mas este apelo não é o único a trabalhar pelo predomínio do imóvel pequeno.

“Isso acontece tanto em Santos como em Praia Grade, e não é só Minha Casa, Minha Vida, mas também no padrão econômico e para a classe média”, afirma o diretor regional do Secovi, Carlos Meschini.

Por trás desse fenômeno, que se repete em outras cidades do País, estão também a nova formatação das famílias, cada vez menores, e mais pessoas sozinhas. 

Meschini cita os casais cada vez com menos filhos ou que passam pela fase do ninho vazio – quando esses filhos vão estudar fora e não retornam mais ou obtêm o primeiro emprego e se mudam. 

Divorciados e idosos – Há ainda os divorciados, que dependem de apartamentos compactos, ou os idosos. Estes, por uma questão de faixa etária, abrem mão de unidades espaçosas para reduzir custos ou terem menos trabalho. A vantagem é que os arquitetos estão mais atentos a esse grupo e fazem as adaptações necessárias.

O diretor do Secovi lembra que essas unidades pequenas, nas construções modernas, são integradas à área comum para compensar a falta de espaço.

São os novos condomínios com muitos serviços, como lavanderias e espaços de lazer, com despesas que são cobertas pelo condomínio mais barato de uma grande quantidade de apartamentos em uma só torre. 

As novas necessidades também favorecem o formato menor, com espaços compartilhados, e a aversão ao consumismo. 

São pessoas que evitam acumular objetos e roupas dispensando mobília ampla, tudo em nome da sustentabilidade ambiental.

Pesquisas também indicam que aumenta o número de jovens avessos ao carro. Preferem usar aplicativos e gastar em viagens, por exemplo. Meschini, entretanto, lembra que a garagem é uma exigência da legislação do setor.

Perfil é de casal com primeira casa própria – Os apartamentos apertados já eram comuns nas metrópoles mundiais pelos preços caríssimos do metro quadrado. No Brasil, eles chegaram primeiro por São Paulo com nova roupagem, a da sustentabilidade – menor uso de recursos naturais na obra e, depois, para mantê-lo – e da simplicidade devido à falta de tempo. 

Em Santos, os tamanhos cada vez menores, inicialmente por volta de 80 m² e agora rondando os 40 m², geravam espanto no início da década, quando o boom imobiliário caminhava combinado com a alta dos preços.

Mesmo com as modernidades para atender as aspirações de compradores pró-sustentabilidade, em tempos difíceis o preço baixo é a grande sedução do mercado. 

Em Praia Grande, o tamanho compacto permite vender unidades a R$ 170 mil, segundo o diretor de Obras da construtora Credlar, Reinaldo Lozano. Ele se especializou em apartamentos desse porte – um de seus lançamentos tem unidades de 33 m² – e pretende levar a faixa dos 40 m² para São Vicente até o ano que vem. 

De acordo com ele, o comprador de unidades bem pequenas tem perfil misto. São recém-casados ou casais que não querem ter filhos ou planejam apenas um. “Geralmente estão comprando a primeira casa própria”, afirma Lozano.


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