A violência doméstica na porta do seu lado

Dados de violência contra a mulher ainda são desanimadores. Em todo o país, os números cresceram, e especificamente em Santos o cenário não é diferente

Casada, Maria da Penha Maia Fernandes sofreu violência doméstica por 23 anos. Seu ex-marido, extremamente violento, cometeu contra ela duas tentativas de assassinato. A primeira, a tiros, deixou Maria paraplégica. A segunda fez surgir nela a coragem para finalmente denunciá-lo, ganhando o direito de tira-lo de casa e coloca-lo no banco dos réus. Em sua homenagem, a Lei criada há 13 anos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher leva seu nome: a Lei Maria da Penha.

Mas os dados de violência contra a mulher ainda são desanimadores. Em todo País os números cresceram e especificamente em Santos, o cenário não é diferente.

Confesso, tomei um susto lendo em matéria publicada aqui no portal, que uma mulher é agredida a cada 17 horas na cidade. Em 2018, foram registrados 500 casos espalhados em 43 bairros. Se levarmos em consideração que muitos casos não são registrados – por medo, vergonha ou omissão – chegamos à triste conclusão de que a realidade pode ser ainda pior.

A agressão não ocorre apenas fisicamente. Existem muitos casos de agressão moral e patrimonial, em que a mulher aceita o abuso por se ver como refém financeira do marido ou companheiro.

E numa clara demonstração de que este crime não escolhe classe social, o bairro da Aparecida, considerado de padrão de classe média alta, é o segundo em ocorrência deste tipo de violência. Neste exato momento, pode estar acontecendo mais um caso a poucos metros de você, seja qual for a sua cidade ou bairro, sem que você saiba.

Assumo aqui, como agente parlamentar, o compromisso de combater de forma ainda mais veemente este covarde e silencioso crime. Mas é importante e fundamental que toda a sociedade tenha consciência, mobilizando-se para dar um fim nesta triste estatística. Vamos dar um basta.

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