Empreendedorismo na gestão pública municipal

As administrações públicas nos pequenos e médios municípios brasileiros convivem com o desafio de gerirem poucos recursos e terem que solucionar problemas recorrentes, que se reproduzem ao longo de várias gestões que se sucedem. As plataformas políticas que projetam nos municípios, gestores públicos majoritários, eleitos pelo povo, são por vezes, montadas em função de demandas da população e que deveriam ser atendidas prontamente, pelo poder público constituído; porém, o que se observa são práticas de gestões públicas equivocadas e ineficazes, sem os vínculos com as aspirações populares, que levam à eleição do executivo municipal, representante de cidadãos que detém os direitos ao voto.
Nos planos de governos são colocados enormes gamas de soluções, sem levarem em conta os recursos necessários para colocá-las em prática e sem os devidos planejamentos que oportunizem a execução de tais planos, que invariavelmente, se perdem e entram no rol de frustrações e desalentos da população. Gestores públicos convivem com rotinas de problemas que se tornam emergenciais, que se remontam, sem serem priorizados através de planejamentos prévios. O que se vê são gestões sem planos de metas, sem delegação e nem monitoramento de soluções a serem empreendidas, em prol das necessidades básicas dos cidadãos que vivem nos municípios e que pagam pelos serviços através de seus impostos.
Falta capacidade empreendedora nos gestores, que por vezes, não conseguem entender a administração pública como um negócio, que passa pelo planejamento, alocação e racionamento de recursos, na busca da plena satisfação da sociedade, que espera por atendimentos às necessidades coletivas e individuais, inerentes aos serviços a serem prestados pelo governo. Para gestões públicas eficazes e eficientes, há, portanto, necessidade da prática de comportamentos empreendedores, tais como: o hábito de se monitorar na prática o resultado do que é planejado; criatividade e capacidade de inovação na solução de antigos e novos problemas; persistência na busca de resultados alvissareiros ao delegar funções; exigência de qualidade e eficiência nos atendimentos às necessidades da população; comprometimento com a manutenção dos patrimônios públicos e uso racional de recursos; buscas de informações através de benchmarking junto a outros gestores municipais, adequando as melhores práticas à realidade local; senso de representatividade e autoconfiança na priorização de políticas públicas; estabelecimento de metas de curtos e médios prazos inerentes ao período da gestão pública e outras práticas que possibilitem a busca de oportunidades e projetos que contribuam na satisfação das necessidades dos cidadãos que vivem nos municípios.
As realidades dos pequenos e médios municípios brasileiros não podem mais prescindir de empreendedores, com capacidade de gestão focada na qualidade e produtividade dos serviços públicos. Saibamos escolher os nossos políticos, com foco numa nova realidade mundial, onde a qualidade de vida dos cidadãos está proporcionalmente relacionada à capacidade empreendedora de seus gestores públicos.
Que sejamos felizes, não somente no Natal, mas em todos os períodos do ano, em que demandarmos por atendimentos com padrões de qualidade e eficiência, através dos serviços públicos a serem prestados nos municípios onde vivemos.

Geraldo Ivan Oliveira da Cruz  – Consultor – Graduado em Química e Turismo –
MBA em Planejamento e Gestão Empresarial – Mestre em Administração e Educação Ambiental

One thought on “Empreendedorismo na gestão pública municipal

  • 21 Agosto, 2019 at 21:07
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    Parabéns pelo artigo!

    Realmente ainda não temos este nivel de consciência e percepção da grande maioria da liderança aqui no Brasil.

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