Cláudia Dib bate-papo com Alexandre Chiofetti

A possível implantação de uma usina termoelétrica em Peruíbe vem gerando muita polêmica no que diz respeito à questão ambiental e à questão energética. De um lado, ativistas, grupos ambientalistas, indígenas e populares mais tradicionais questionam os impactos que podem ocorrer com o funcionamento da usina. Do outro, poucos que se declaram e defendem a sua construção em prol do aumento da produção de energia e a promessa de um impulso na economia local. Percebemos nas ruas, que muitos moradores e empresários são favoráveis. Já a população, de maneira geral, vê o projeto como algo positivo, pois acredita que vai gerar empregos e melhorar as condições da cidade, que enfrenta dificuldades na saúde, na segurança e mesmo na atração de novos negócios. São esperados R$ 9 milhões/ano de impostos municipais e repasse pelo Governo do Estado de cerca de R$ 60 milhões por ano.A Gastrading Comercializadora de Energia S.A. é uma empresa do Grupo Léros que atua na comercialização de petroquímicos e afins; exploração e operação de campos de petróleo e gás natural; reutilização de materiais descartados e mineração. Esta empresa quer implantar em Peruíbe um dos maiores projetos de geração de energia e gás natural do país, a Usina Termoelétrica (UTE) e um Terminal de GNL (Gás Natural Liquefeito) que deverão gerar até 1,7 GW de energia e regaseificar até 20 milhões de m3/dia de gás natural.
Para sanar as dúvidas e conhecer melhor o projeto, Cláudia Dib bate-papo com Alexandre Chiofetti, diretor-presidente da Gastrading, engenheiro mecânico, responsável pelo desenvolvimento e implantação da UTE.

A Gastrading é uma das empresas do Grupo Léros Geradora, o qual explora diversas formas de geração de energia. Porque uma termoelétrica para esta região?
Alexandre – Nós fizemos um estudo de viabilidade para esta região, veja, para gerar a mesma quantidade que estaremos gerando em Peruíbe, para o uso de gerador solar fotovoltaico, seriam necessários uma área de tamanho 220 vezes maior que a área da Termoelétrica, ou seja, com essa quantidade de parques e terras indígenas, isso não é possível.
Já a Eólica, há uma necessidade de ventos constantes, o que é muito bem aproveitado no Norte e Nordeste do Brasil. Por sua vez no caso de uma hidroelétrica seria necessário alagar uma área de Peruíbe até Santos. A termoelétrica é mais eficiente em termos de área, exige a menor derrubada de árvores e tem um ponto muito importante que, para a geração de energia eólica e solar crescer, é necessário a energia de base, e a geração de base é a termoelétrica.

Porque em Peruíbe?
Alexandre – Demanda energética – O Estado de São Paulo é o maior mercado consumidor de energia e de gás natural, cerca de 45% da energia consumida é importada.
Logística – Hoje o estado precisa muito de energia e não faz sentido gerar energia no meio da Amazônia e trazer para o estado. Por uma questão técnica é muito melhor que estejamos ao nível do mar, a queima do gás é muito melhor aqui do que na altitude de São Paulo. Temos a proximidade do mercado consumidor e, ao mesmo tempo, dos campos pré-sal na Bacia de Santos. Se falando de Litoral, tínhamos outras três opções no estado, Caraguá, São Sebastião e Santos. Mas, Caraguá e São Sebastião tem um problema de escoamento, pela proximidade da serra, não é tão fácil a retirada desta energia gerada, e no mesmo sentido o gasoduto. Em Santos há uma particularidade do deslocamento dos navios, e o problema de calado de navegação (profundidade do ponto mais baixo da quilha de uma embarcação). No Porto de Santos, para a termoelétrica realizar a troca de água, teríamos no canal, uma área muito restrita, e aqui temos o mar aberto.
Litoral Sul – A preservação ambiental foi o fator primordial para a escolha de Peruíbe como base do Projeto Verde Atlântico Energias. Primeiro devido à profundidade do calado no local do terminal off shore (que fica a 10 quilômetros da costa), além de não atravessar o Parque Estadual da Serra.
Por último, a conformidade com o Plano Diretor do Município.

E quanto aos empregos, qual será o benefício para a Cidade uma vez que a mão de obra deve ser qualificada?
Alexandre – Durante o período de obras a Usina deverá gerar 4.600 empregos diretos e 2.200 indiretos. Já em sua operação serão cerca de 350 empregos diretos e 1.400 indiretos. Muitas destas vagas são específicas e para isso estamos realizando uma parceria com a ETEC, da construção até a instalação serão mais ou menos três anos, temos tempo para capacitar estas pessoas para trabalharem no empreendimento.

Não temos a intenção de trazer profissionais de fora, é mais prático contratar a mão de obra local”.

O país está passando por uma crise hídrica, há mais de 15 anos, especialistas anunciavam os fatores que poderiam ocasionar em algumas regiões e agravar em outras. As termoelétricas são a melhor solução para geração de energia neste momento? Quais as expectativas para estas indústrias para daqui a 20 anos? Há algum estudo neste sentido?
Alexandre – Essa é uma das maiores perguntas, como vamos crescer na geração elétrica no país? Os grandes reservatórios trazem consigo um baita impacto ambiental e a segunda onda de geração óbvia são as renováveis solar e eólica, e do outro lado a termoelétrica, e as grandes termas são a gás ou a carvão. Faz parte do Plano Decenal de Energia (PDE) a implantação de 5GW até 2025, faz parte do governo contratar termoelétricas e faz mais sentido contratar as termas próximas ao consumo. E não podemos nos esquecer da crise hídrica em que a ANA (Agência Nacional de Água) pedia para guardar a água para consumo humano, enquanto a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) mandava gerar energia para as pessoas consumirem. Isso é positivo para a termoelétrica que gera energia enquanto as reservas de água são destinadas ao consumo.

Segundo especialistas e ambientalistas, o grande problema da termoelétrica não é a fumaça produzida, mas sim na condensação, o problema está no calor produzido na troca de água. Como a indústria sanará este problema?
Alexandre – Fizemos simulações em equipamentos sofisticados e estamos rigorosamente dentro da Resolução CONAMA 430/11. A água será captada no mar, passa e resfria uma parte da térmica, é resfriada e volta ao mar com 7º a mais do que foi captada e como o volume de água do mar é muito grande, em sete metros a água perde mais 3º. Logo não terá um impacto significativo na fauna e flora marinha. Vale dizer que não iremos usar a água do Rio Preto, como alguns estão dizendo.

No caso de filtros para as chaminés, o carvão ativo, é um lixo contaminado, qual será o seu destino?
Alexandre – Filtros com carvão ativo são usados em termoelétricas a carvão. Esta termoelétrica não há necessidade de filtros, pois o combustível (gás natural) é muito limpo, em sua queima gera apenas o gás carbônico, água e as outras emissões são mínimas estando dentro da regulamentação.

Quais serão os índices da emissão de gases poluentes?
Alexandre – Muito pequena, por conta do combustível ser limpo eu tenho a emissão do particulado praticamente nada. Não haverá “poeira” nos móveis das pessoas, SO2 (Dióxido de Enxofre) que causa a chuva ácida não está presente, pois o enxofre não faz parte da composição do gás natural. O Nox (Óxido de nitrogênio) é emitido menos de 20% do índice tolerado e o CO (Monóxido de Carbono) é muito pouco, próximo de 0 (zero) porque o combustível é muito limpo.

Em Peruíbe há uma Colônia de Pescadores onde muitas famílias tiram do mar o seu sustento. Uma das maiores preocupações nesta troca d’água (resfriamento) é que impacto isso causará para a pesca local?
Alexandre – Estamos realizando diversas reuniões com os pescadores e seus representantes para endereçar suas necessidades, sabemos que haverá um impacto na pesca de arrasto e os impactos serão compensados, isso faz parte da licença de instalação. É importante frisar que nenhum profissional será prejudicado por este empreendimento.

Segundo especialistas, essa troca de calor provocaria o aquecimento na lâmina d’Água, causando expansão do ar, que pode gerar pequenos ciclones tropicais. O que o Sr. diz a respeito?
Alexandre – Não existe a menor possibilidade disso ocorrer!

Há uma insegurança muito grande por parte da população em relação ao gasoduto que passará em parte da Cidade. Quais as medidas de segurança serão aplicadas?
Alexandre – Vou destacar que isso é muito tranquilo e seguro. Veja, em São Paulo há 11 mil quilômetros de gasodutos enterrados e não ouvimos falar de nenhum acidente. Em Praia Grande tem um gasoduto da mesma ordem do que será empregado aqui, e também não consta nenhum acidente. Ao que consta, nenhuma casa foi desvalorizada por passar um gasoduto em frente. Tanto os navios, o terminal e a termoelétrica estarão equipados com válvulas de desligamento que faz parte de um sistema de instrumentação de segurança (ESDV), não havendo poluição da terra, do mar nem do ar, pois como o gás é mais leve que o ar ele dissipa-se rapidamente em caso de vazamento. A possibilidade de acontecer uma explosão é remota. Além disso, haverá um revestimento de proteção a infraestrutura dutoviária, uma placa de concreto protegendo o gasoduto e uma faixa amarela sinalizando o gasoduto. O gasoduto vai passar pelas ruas e não por propriedades particulares ou casas.

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