Turismo com passos de tartaruga

“Turismo receptivo uma necessidade básica”. Publiquei um artigo com esse título em 10 de setembro de 2000, no Jornal A Tribuna de Santos. Aquele texto mostrava uma realidade que ainda hoje requer uma atenção especial dos agentes públicos e segmentos da iniciativa privada, que têm interesse em trilhar pelo desenvolvimento regional, galgado no potencial do turismo nos municípios do litoral sul paulista. Naquela época como consultor de turismo do SEBRAE SP relatávamos as oportunidades oferecidas pela cadeia produtiva da atividade turística e a incapacidade dos interesses e potenciais municipais se juntarem na formação de um produto turístico regional, integrado e competitivo.
Ao longo desses anos, não podemos negar que tivemos avanços consideráveis no desenvolvimento do turismo regional, tais como a abertura do Porto de Santos para o aporte de navios de cruzeiros e com eles os estímulos às mais variadas ofertas de serviços e produtos; a revitalização do centro histórico de Santos; construções de shoppings; instalações de centros de convenções; a organização e captação de eventos regionais, através da instalação do SRC&VB – Santos e Região Convention & Visitors Bureau, construção e início de operação, ainda que incipiente do Aeroporto de Itanhaém e outros equipamentos de apoio ao turismo na Baixada Santista. À margem dessa realidade, Peruíbe enquanto destino turístico, não soube aproveitar esse boom do desenvolvimento socioeconômico e até hoje não acompanha o crescimento regional, por incapacidade de elaborar e apresentar bons projetos, se abstendo de relevantes volumes de recursos públicos, destinados aos investimentos no setor e receitas geradas pelo fluxo turístico. Faltam planejamento e capacidade técnica para se desenvolver o turismo, alinhado com uma vontade política, que possa promover a articulação para integração e roteirização junto aos principais destinos regionais. Em síntese, falta visão dos gestores públicos para promover a profissionalização do setor, com planos de metas, projeções de resultados e projetos que diminuam os efeitos da sazonalidade, sobre a os negócios que dependem direta e indiretamente dos recursos trazidos pelos turistas. Paralelo à baixa capacidade operacional dos órgãos municipais de gestão do turismo, municípios como Peruíbe têm os Conselhos Municipais de Turismo, como organismos que não exercem verdadeiramente a função de discutir, priorizar e deliberar sobre o que realmente interessa para que o turismo se desenvolva.
Os COMTURs devem exercer o protagonismo para serem os principais agentes de desenvolvimento do turismo, nos municípios onde estão instalados, pois é assim que funcionam nos destinos receptivos que se consolidaram em todo o Brasil. São os Conselhos Municipais de Turismo os organismos certos para congregar os segmentos da iniciativa privada, através das empresas do trade turístico, o poder público através da câmara de vereadores, administração municipal e a comunidade, através dos cidadãos de bens que usufruirão dos benefícios dos empregos e rendas que o segmento pode gerar.
Esse trabalho requer uma boa articulação como precedente de iniciativa, pois não dá pra ficar só contemplando o desenvolvimento do turismo alheio, deixando pra trás os nossos potenciais de atratividades, que poderão gerar os empregos e riquezas já alcançadas em outros centros de excelência nos atendimentos aos turistas.
Pessoas céticas dizem: falar é fácil; porém, com muito entusiasmo, comprometimento, conhecimento técnico e de gestão, não tenho dúvidas em afirmar, que fazer acontecer é necessário e plenamente factível!

Geraldo Ivan Oliveira da Cruz
é Consultor, Turismólogo
e Mestre em Administração e Educação Ambiental.

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